Banco Central Endurece Regras de Segurança Cibernética Após Aumento Recorde de Ataques ao Sistema Financeiro Brasileiro

O Banco Central do Brasil anunciou um conjunto de medidas mais rígidas de supervisão e segurança cibernética após registrar, até outubro de 2025, o maior número de incidentes de segurança no sistema financeiro desde o início do monitoramento em 2018. Foram contabilizados 68 incidentes, incluindo 37 fraudes confirmadas, número que já supera todas as ocorrências registradas em 2024.

Diante desse cenário, o Banco Central revelou que novas regras estão em fase final de elaboração — normas que afetarão bancos, fintechs, instituições de pagamento, plataformas de open finance, empresas de tecnologia e qualquer operação que dependa de APIs e integrações com o sistema financeiro.


Por que o Banco Central decidiu agir agora?

O motivo principal é o salto expressivo nos ataques cibernéticos. Os 68 incidentes reportados até outubro de 2025 ocorreram em instituições de diferentes portes, evidenciando fragilidades em:

  • serviços de terceiros,

  • conexões diretas a redes financeiras,

  • plataformas intermediadoras,

  • APIs abertas,

  • integrações com sistemas externos,

  • fornecedores de infraestrutura digital.

O Banco Central identificou que parte significativa dos ataques se originou em parceiros externos, o que acende alerta para falhas de governança tecnológica e ausência de controles adequados de segurança.

Além disso, a pressão internacional para reforço de segurança nos sistemas bancários digitais e a expansão das fintechs aceleraram a necessidade de atualização regulatória.


O que muda com as novas regras?

O BCB prepara um conjunto de normativas voltadas para segurança operacional, integridade de dados e controle de acesso, com foco em:


1. Supervisão reforçada de APIs e integrações terceirizadas

Instituições financeiras e fintechs deverão:

  • mapear todas as API utilizadas e seus acessos;

  • auditar fornecedores externos com critérios de segurança mais rígidos;

  • reforçar monitoramento de tráfego e autenticação;

  • revisar contratos, SLAs e políticas de continuidade;

  • adotar sistemas criptográficos e padrões de certificação mais elevados.

As integrações serão tratadas com o mesmo rigor das conexões diretas com o sistema financeiro.


2. Normas específicas para conexões diretas à rede financeira

Empresas que usam infraestrutura que conecta diretamente a redes bancárias (como plataformas de pagamento e instituições digitais) terão:

  • novas obrigações de autorização;

  • controles mínimos de segurança;

  • requisitos de segregação de ambientes;

  • auditoria periódica para evitar brechas de acesso.


3. Regras mais duras para prevenção de fraudes

O BCB deve exigir:

  • monitoramento contínuo em tempo real,

  • sistemas antifraude mais avançados,

  • trilhas de auditoria mais detalhadas,

  • protocolos robustos de resposta a incidentes,

  • comunicação imediata ao regulador.


Como isso afeta fintechs, bancos digitais e empresas de tecnologia?

Essas empresas são as mais impactadas porque grande parte de seus serviços depende de:

  • APIs abertas,

  • integrações com parceiros,

  • uso de terceiros para validação, pagamentos ou custódia,

  • ambientes em nuvem,

  • soluções de open finance.

A partir das novas regras, as instituições terão de:

  • reavaliar todo o ecossistema de fornecedores;

  • implementar governança de terceiros (KYT – Know Your Third-Party);

  • reforçar testes de penetração e vulnerabilidade;

  • revisar contratos de tecnologia, responsabilidades e seguros;

  • adaptar fluxos de autorização, autenticação e criptografia.

Os custos de compliance e infraestrutura podem aumentar, mas o retorno se dá pela redução de riscos, proteção de dados e continuidade operacional.


Estratégias de adequação imediata para empresas

Para não serem surpreendidas quando as normas forem publicadas, as empresas já devem iniciar um plano de adequação:


1. Auditoria completa de segurança

Mapear:

  • APIs,

  • acessos externos,

  • integrações ativas,

  • fornecedores críticos,

  • fluxos de dados.


2. Revisão de contratos com fornecedores

Incluir:

  • cláusulas de responsabilidade por incidentes,

  • requisitos mínimos de segurança,

  • obrigações de auditoria,

  • SLA específico para resposta a ataques,

  • padrões de certificação.


3. Implementação de governança de terceiros

Empresas deverão monitorar continuamente:

  • credenciais,

  • permissões,

  • comportamento anômalo,

  • volume e tipo de requisições.


4. Fortalecimento do plano de resposta a incidentes

O BCB exigirá:

  • notificação imediata,

  • identificação de causa,

  • medidas de contenção,

  • plano de recuperação,

  • documentação completa do incidente.


5. Treinamento de equipes e atualização de políticas

Departamentos de:

  • TI,

  • jurídico,

  • compliance,

  • segurança da informação,

  • atendimento,

precisam entender as novas exigências para agir rapidamente.


Quais são os riscos de não se adaptar?

Empresas que ignorarem o movimento regulatório estarão expostas a:

  • prejuízos financeiros em caso de ataque,

  • vazamento de dados sensíveis,

  • investigações administrativas,

  • multas,

  • suspensão de operações,

  • perda de parcerias e reputação,

  • quebra de contratos com instituições financeiras.

No novo cenário, segurança cibernética não é opcional — é requisito para sobreviver no sistema financeiro.


Conclusão

O aumento recorde de ataques cibernéticos obrigou o Banco Central a endurecer regras para garantir a integridade do sistema financeiro digital. Isso marca o início de uma nova fase de supervisão, onde tecnologia, segurança e compliance caminham juntos.

Empresas que se adaptarem rápido não apenas atendem à lei, mas conquistam vantagem competitiva: tornam-se mais confiáveis, sólidas e preparadas para crescer em um ambiente cada vez mais sofisticado e digital.


Sua empresa usa APIs, integra serviços financeiros, opera com pagamentos, open finance ou presta suporte tecnológico?
Agora é o momento ideal para revisar contratos, reforçar compliance e implementar segurança de alto padrão antes da chegada das novas normas.

Compartilhe:

Mais posts