Aprovada recentemente, a Lei nº 15.252/2025 inaugura um novo capítulo nas relações entre consumidores e instituições financeiras no Brasil. A norma traz dispositivos que reforçam a proteção do usuário, ampliam a transparência e criam novas obrigações para bancos, fintechs e instituições de pagamento. Em um ambiente de digitalização acelerada, essa legislação chega para equilibrar a relação contratual e impedir abusos.
Neste artigo, explicamos de forma clara e técnica quais são as principais mudanças introduzidas pela lei, como elas impactam empresas e bancos, e por que gestores, advogados e profissionais do setor financeiro devem se adaptar imediatamente.
O que muda com a Lei nº 15.252/2025?
A nova norma reforça três pilares essenciais:
1. Portabilidade automática de salário e benefícios
A partir da nova lei, não é mais necessário solicitar manualmente a portabilidade de salário. O consumidor pode autorizar de maneira digital, e a instituição bancária é obrigada a executar a transferência sem burocracia.
Isso impacta diretamente:
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empresas que oferecem contas digitais para colaboradores;
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bancos que terão de ajustar seus sistemas;
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fintechs que passam a operar de maneira mais competitiva.
2. Débitos automáticos entre contas de diferentes bancos
O sistema financeiro agora deve suportar débitos automáticos interbancários, ou seja, o cliente pode autorizar que uma conta em um banco debite valores diretamente de outra instituição sem precisar fazer transferências manuais.
Isso amplia:
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automação de pagamentos;
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práticas de cobrança;
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integração de sistemas bancários.
3. Transparência reforçada: CET, tarifas e limites
A lei cria novas obrigações de informação:
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divulgação detalhada do Custo Efetivo Total (CET);
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proibição de aumento automático de limites sem consentimento;
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obrigação de evidenciar tarifas e encargos de forma clara.
Bancos devem revisar contratos, portais digitais e canais de atendimento.
Como isso afeta empresas e prestadores de serviços financeiros?
As empresas que lidam com crédito, bancos digitais, antecipação de recebíveis, consignado e pagamento de salários precisam revisar diversos pontos:
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contratos de adesão;
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termos de uso;
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políticas de consentimento;
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APIs e integrações bancárias.
Além disso, empresas que recebem pagamentos recorrentes devem reavaliar processos, pois o uso de débitos automáticos interbancários muda a dinâmica de gestão financeira.
A Lei nº 15.252/2025 moderniza o sistema financeiro e aumenta a proteção ao consumidor. Para bancos, fintechs e empresas que utilizam serviços financeiros, a adoção imediata dessas práticas não é apenas obrigatória — é estratégica.


