Os Projetos de Lei 883/2025 e 1149/2025, atualmente em tramitação no Congresso Nacional, podem reformular significativamente os direitos dos passageiros de companhias aéreas no Brasil. Motivadas por um aumento de casos envolvendo “downgrade involuntário” — quando o passageiro é reacomodado em classe inferior sem compensação — as propostas reforçam a responsabilidade das empresas aéreas e expandem a proteção do consumidor.
Neste artigo, analisamos os principais dispositivos dos PLs, seus impactos e o que empresas de turismo, companhias aéreas e plataformas digitais devem fazer imediatamente para adequação.
Por que essas propostas surgiram?
Nos últimos dois anos, aumentaram as denúncias de consumidores relatando:
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realocação forçada para classes inferiores;
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ausência de compensação;
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falta de informação prévia;
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reacomodação inadequada;
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redução de benefícios contratados.
O fenômeno chamou atenção de órgãos reguladores e do legislativo.
Principais mudanças previstas nos projetos
1. Indenização automática em casos de downgrade
As propostas preveem que, se houver reacomodação em classe inferior por falha da companhia aérea, a indenização deve ser automática, sem que o consumidor precise ingressar na justiça.
2. Transparência ampliada no preço das passagens
As empresas deverão detalhar:
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custos efetivos;
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regras de upgrade;
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condições de downgrade;
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políticas de reembolso.
A omissão pode gerar multa e responsabilidade objetiva.
3. Reacomodação obrigatória
Se houver falha operacional, o passageiro deve ser reacomodado em voo equivalente sem custo adicional.
Impacto para empresas de turismo, companhias aéreas e plataformas
Essas mudanças atingem diretamente:
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sites de vendas de passagens;
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agências digitais;
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programas de milhas;
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companhias aéreas.
É essencial atualizar:
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contratos;
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termos de serviço;
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políticas de cancelamento;
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comunicação pré e pós-compra;
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sistemas de suporte.
Os PLs 883/2025 e 1149/2025 reforçam o movimento de proteção ao consumidor no setor aéreo. Empresas que revisarem seus processos preventivamente estarão protegidas contra multas, reclamações e ações coletivas.


